sexta-feira, setembro 25, 2009

SESSÃO DE LANÇAMENTO - LIVRARIA CÍRCULO DAS LETRAS - 24/09/2009

A sessão de lançamento duas primeiras obras da colecção "Sefarad" contou com a presença de cerca de 70 pessoas. Aqui fica o texto de apresentação da obra "Breve História dos Judeus em Portugal", da autoria de António Eloy:


“Que as palavras que o vento leva arrastem as cinzas sobre as quais temos alicerçado passado, que no futuro não queremos repetir, que as palavras carreguem a realidade com o sofrimento e os heroísmos de que é feita a história e nunca esqueçamos quem somos e donde vimos.”

Eu, nesta apresentação, neto de marrano, tetraneto de judeus retornados de Marrocos, que se estabeleceram em Lisboa como ourives e que não deixaram de procurar comunidade e alegria, estou grato.
Antes de mais por podermos partilhar este momento.
Esta apresentação não tem inocência, tem um lugar.
Um lugar de quem pensa que a história é também a transformação desse lugar, em mais conhecimento, compreensão e cidadania.

É com todo o gosto que venho apresentar este precioso livro de Jorge Martins, para o qual julgo ter empenhado algum “ar”, no seguimento de comentário que lhe fiz sobre a edição em 3 tomos do que foi substancialmente a tese de doutoramento que defendeu, e que me mereceu alem de uma avaliação pela espessura e densidade, aliada há que dizê-lo à qualidade e cidadania, que prestigiam o historiador, uma nota sobre a necessidade de transformá-la em documento mais leve na leitura, que servisse para introduzir os nossos jovens a esta importante dimensão da nossa história, de nós mesmos.

Aqui temos esta #Breve História dos Judeus em Portugal# a preencher a lacuna, a tornar incontornável, esta parte de nós no ensino.
Nesta #Breve# vamos dos 1ºs povoamentos judaicos que chegaram até a Ibéria/Sefarad com populações fenícias, passando pela especificação profissional que tipificava a organização social e que conduziu ao #racismo# /religioso e à Inquisição, como momento que além de ideológico é baseado numa lógica económica, do orgulhosamente sós,,,.
A história complexa do retorno no seguimento do fim da Inquisição, à solidão das comunidades perdidas, e aos detalhes de que também é feita a história e às estórias que essas sim honram uma parte de nós.
E, não quero deixar de lançar aqui mais um desafio ao Jorge, de completar em novo documento o pensamento que nos deixa com água na boca, e que é sintetizado:
# perdemos a nossa plena identidade a partir do inicio do século XVI e nunca mais a recuperámos até hoje.#
Fala-nos da perda da nossa identidade que também é, como sabemos muito bem, judaica, e com mais este e outros trabalhos começamos a recuperar.

Não se pode compreender o atraso sócio-cultural, das nossas estruturas produtivas, o bloqueio das ideias sem conhecer e desenvolver o notável ensaio de Antero de Quental, #As causas da Decadência....#, e sem agora que está estabelecido este documento #Breve# desenvolver trabalho e investigação sobre as articulações que daqui decorrem e que o Jorge tão bem nos “apetiza” nestas conclusões.

Mas apresentar um livro, este livro é, para mim, também uma ocasião e oportunidade para abordar três pontos:

1-A História.

Cito:
#Uma palavra, em suma, domina e ilumina os nossos estudos: “compreender”.
Não afirmemos que o bom historiador é alheio às paixões; tem aquela, pelo menos.
Palavra essa, não tenhamos ilusões, cheia de dificuldades, mas também de esperança.
Palavra cheia, sobretudo, de amizade.
Até na acção julgamos de mais.
É tão cómodo gritar “à forca”!

Nunca compreendemos bastante.
Quem difere de nós – estrangeiro, adversário político – passa, quase necessariamente, por mau.
Mesmo para orientar as lutas inevitáveis, seria necessário um pouco mais de inteligência das almas; com mais forte razão se as queremos evitar, quando ainda é tempo.
A história, se renunciar ela mesma aos seus falsos ares de arcanjo, deve ajudar a curar-nos desta mania.
Ela é uma vasta experiência da diversidade humana, um longo encontro dos homens.
A vida, como a ciência, tem tudo a ganhar se o encontro for fraternal.#

De Marc Bloch, historiador, resistente, torturado e fuzilado pela Gestapo em 1944

A história, ciência dos homens no tempo, é conhecimento do passado a progredir no tempo.
Conhecimento filtrado pelos autores, detentores do discurso, filtradores de todos os elementos da vida e continuidade do, de um povo, de todos os elementos da sua existência.
A leitura, a busca dessa leitura que nos é dada da história tem instrumentos, que são determinados pelas bases da investigação, e aqui quero mencionar o Homem, o meu velho conhecimento do Jorge.

Percorremos a licenciatura cruzando-nos ocasionalmente, numa Faculdade de Letras em efervescência, nos anos pós 25 de Abril em que a descoberta da cidadania se fazia na história, com notáveis “facilitadores” que muitas vezes eram, noutros momentos, camaradas, como António Borges Coelho, Cláudio Torres, Isabel Castro Henriques, Vítor Gonçalves, Manuel Maia, Mª José Trindade, Jorge Custódio meia dúzia que me vem à memoria de tantos que criaram uma dinâmica de aprendizagem que entroncava numa cidadania recuperada e num sentido para a história. Por estas Letras conheci o “Galinheiras” que era um tributo ao que penso era ou tinha sido o seu local de residência ou militância politica.
Em Letras penso que construímos um entendimento que motivou o re-encontro, com a magna História que o Jorge, continuador da busca, transformação do passado em conhecimento no presente, prosseguiu.

2-A Cidadania

# A medo vivo, a medo escrevo e falo,
hei medo do que falo só comigo;
mas inda a medo cuido, a medo calo#
Cavaleiro de Oliveira, citado em “O Judeu” de Bernardo Santareno

Não é possível identificar Portugal sem lhe reconhecermos a alma judaica,
mas também sem analisarmos a alma negra do medo da inquisição e do fanatismo, a alma megera da maldade, que tem que ver com o espírito da massa, manipulada sabiamente pela ignorância ao serviço da cupidez, e de interesses sócio-económicos específicos, de manutenção ou consolidação de privilégios.
A Inquisição, à qual como nos diz o Cavaleiro de Oliveira, agora pela palavra de Santareno “ se deve o empobrecimento do Reino, porque para substituir o Santo Ofício inventa judeus como outros fabricam moeda...! “
Mas o empobrecimento do Reino, ontem como hoje não é o empobrecimento de todos:

Uma economia fechada ao desenvolvimento comercial e industrial e à internacionalização e,
a mais cidadania que com essa mobilidade se gera,
uma classe dominante anquilosada em lógicas de poder familiar e de bens em meia dúzia, uma indústria incapaz de consolidação e sustentação no mercado,
um sistema politico bloqueado, dominado por castas e manipulado por instituições acima do crivo democrático, onde os cargos resultam de compra, e relações familiares,

não, não estou a falar dos dias de hoje, embora pudesse, mas das trevas que desde a Inquisição parecem toldar um Portugal que continua a arredar-se da sua história e a não aprender com a compreensão desta.

Defender a História toda, a sua melhor compreensão, é um acto da maior relevância politica e esta Breve História dos Judeus em Portugal é um marco incontornável para o direito dos jovens, de todos os portugueses ao seu passado.
Devia ser indispensável nos curricula escolares.

3- O Homem,
Já aqui referi algum passado que partilho com o Jorge.
Referi que nos reencontrámos no âmbito da publicação dos 3 volumes da magna História # Portugal e os Judeus#, e por esta me ter agradado e surpreendido, pela densidade, informação e envolvimento do historiador.
Penso, e isso já ficou claro, que o sujeito da história, aquele que nela pega, a constrói e re-constrói, nela procura os elementos que explicam outros elementos, a continuidade que busca outra continuidade, esse sujeito da história não pode ser um esbracejador de novelas rascas de figuras de pamplina, mas deve sim ser um cultor de responsabilidade cívica e social.
Cruzei-me, também, com o Jorge na realização, no quadro da concretização, num espaço carregado de história, no Largo de S.Domingos, do Memorial ao Massacre de 1506.
Esse Memorial regista, num espaço que é hoje na zona do novo “marranismo” que são os cruzamentos de populações de origens diversas, de diferentes religiões, dos mais vários costumes, que é a diversidade e o respeito por essa, perpetua o que queremos um elemento de referencia de direitos humanos e cidadania.
O Jorge é um historiador e um cultor da responsabilidade cívica, a quem agradeço mais este #Breve# que espero atinja outras almas e outras gentes...
Obrigado Jorge, pela tua compreensão.

sexta-feira, setembro 18, 2009

LANÇAMENTO COLECÇÃO "SEFARAD": DIA 24, 5ª FEIRA, 18.30H, LIVRARIA CÍRCULO DAS LETRAS

A colecção "Sefarad", que a editora Nova Vega agora lança a público, pretende divulgar os estudos judaicos e inquisitoriais portugueses, preenchendo assim um vazio editorial. Este projecto inovador estará atento aos estudos académicos, designadamente teses de mestrado e de doutoramento sobre judaísmo e Inquisição, que costumam ficar esquecidos nas universidades. Os destinatários privilegiados são os estudantes e os professores, particularmente os universitários, mas teremos o cuidado de tornar os nossos livros acessíveis à generalidade dos leitores interessados por estas importantes temáticas da História de Portugal.


quarta-feira, agosto 26, 2009

domingo, agosto 23, 2009

A PROPÓSITO DO MONUMENTO ÀS VÍTIMAS DO MASSACRE JUDAICO DE LISBOA DE 1506

Eis um texto interpretativo do monumento da Comunidade Israelita de Lisboa, de homenagem às vítimas do massacre judaico de Lisboa de 1506, instalado no Largo de São Domimgos, epicentro daquela barbárie que vitimou milhares de cristãos-novos lisboetas.

“Muito embora, no Séc. XV, a estrela de David não fosse ainda um símbolo judaico, este monumento (em cuja meia esfera a Estrela de David aparece voltada para cima) é muito imponente e correcto. Dá a sensação que, através da sua pureza, pedra e volume, o seu designer quis transmitir:

-Que os Judeus estão ligados ao mundo (ao nosso universo) e o mundo a eles, bem como toda a humanidade;
-Que o mundo gira sem parar, tal como os bons e os maus eventos. Mas que, por vezes, certos eventos cortam, molestam o normal caminho que as coisas seguem (o que é simbolizado pelo corte da esfera pela Estrela de David). E, então, todos os envolvidos directa ou indirectamente (vítimas e perseguidores) são molestados;
-Que um certo evento corta a perfeição e “o todo” do mundo. Mas, mesmo com tais horríveis eventos, nós olhamos em frente para o mundo (simbolizado pela parede) – para a mensagem de continuidade e aprendizagem a partir do passado, que nós (todos os seres humanos) sustentamos firmemente como uma parede forte, e para a mensagem de tolerância a todos os povos (quaisquer que sejam as suas línguas, palavras e sistema de escrita);
-Que há uma grande relação entre as várias crenças (simbolizadas pela esfera) com a crença judaica – que corta, com a sua estrela, o mundo mas está também no meio dele.

A parede atrás realça e completa a mensagem com as suas palavras cuidadosamente pensadas. E dá ao local (Lisboa e mesmo a Portugal) não apenas a estabilidade que merecem mas também uma clara mensagem de força, tolerância e aceitação do passado e, especialmente, do agora e do futuro. Por outro lado, põe Lisboa no centro dos acontecimentos (quer sejam do passado, do presente ou do futuro) proclamando que as pessoas deveriam olhar o passado na face e aprender a partir dele, não apenas localmente mas também em qualquer outro lugar do mundo.

Eu poderia continuar por aí fora, porque penso que este monumento é tão apropriado e foi tão bem percebido.
Todos os lisboetas e portugueses deveriam sentir-se orgulhosos dele.”

Shua Amorai-Stark. Historiadora de Arte.
Tradução de Graça Cravinho

terça-feira, maio 26, 2009

BREVE HISTÓRIA DOS JUDEUS EM PORTUGAL


Capa de Breve História dos Judeus em Portugal, a sair brevemente, inaugurando a colecção "Sefarad", lançada pela editora Nova Vega.
Este livro constitui uma síntese dos 3 volumes de Portugal e os Judeus (2006), quanto à presença dos judeus no nosso país. Estão previstos outros volumes, sobre temas como o anti-semitismo, o filo-semitismo, roteiro dos judeus em Lisboa, os judeus e a República, as comunidades criptojudaicas de Trás-os-Montes e Beiras e a Inquisção, etc.
Esta colecção destina-se particularmente aos professores e estudantes e ao grande público, procurando reduzir as referências e as notas, obrigatórias em trabalhos académicos.

sexta-feira, abril 03, 2009

NO PRELO: Breve História dos Judeus em Portugal

Está prevista para Maio a edição do primeiro número da colecção "SEFARAD", intitulada BREVE HISTÓRIA DOS JUDEUS EM PORTUGAL. Detalhes do livro, editado pela Nova Vega, dentro em breve.

quarta-feira, março 11, 2009

PROGRAMA CONFERÊNCIAS SIONISMO - DIA 14


Não existem lados para os direitos humanos!

Realiza a secção portuguesa da Amnistia Internacional, em conjunto com a ATTAC, o CIDAC, o Fórum pela Paz e os Direitos Humanos e o GRAAL, no sábado 14 um seminário sobre a Paz no Médio Oriente que tem chamada para título Solidariedade com o Povo Palestiniano.
Sei que desse título pode resultar ambiguidade. Que também existe ou existiu quando nos empenhamos pelo povo Tibete ou Timorense, ou qualquer outro. Mas seja desde já entendido que ao defendermos os direitos de todos a um Tibete Livre estamos a defender a China Livre, ao defender Timor com direitos estamos a defender os direitos também na Indonésia e ao defender a Palestina também é o direito a Israel que defendemos.
Não existe dualismo de critérios, nem os direitos humanos são moeda ou têm dois lados.
Neste seminário irão estar presentes os mortos, todos os mortos em atentados e guerras, estarão presentes prisioneiros de consciência em Israel como Mordechai e as milhares de Anima sem direitos em Gaza ou nos países árabes por imposição da Sharia, estarão presentes os refusinks de Israel e os mortos na luta entre as várias facções que se degladiam na Palestina
E estará certamente presente a Humanidade que não existe nos mísseis que são lançados pelo Hamas contra Israel ou nos bombarbeamentos “selectivos” sobre escolas ou instalações da Nações Unidas ou quaisquer que Israel, utilizando armamento proibido pelas leis internacionais realiza no “gueto” de Gaza.
Discutir, interrogar, agir e deixar a nossa assinatura, com outros que partilham as nossas dúvidas e terão outras é o nosso objectivo, este sábado 14 na Associação 25 de Abril.

António Eloy, da Amnistia Internacional

quinta-feira, março 05, 2009

Dia 14: CONFERÊNCIA SOBRE SIONISMO

Conferência sobre Sionismo, dia 14 de Março, às 10.30h, na Associação 25 de Abril, Rua da Misericórdia, nº 95, em Lisboa.

domingo, fevereiro 01, 2009

MENSAGEM DO SECRETÁRIO-GERAL DA ONU

DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO

"Devemos continuar a analisar as razões por que o mundo não impediu o Holocausto e outras atrocidades perpetradas desde então. Dessa forma, estaremos mais preparados para derrotar o anti-semitismo e outras formas de intolerância.
Devemos continuar a ensinar às nossas crianças as lições dos capítulos mais sombrios da História. Isso irá ajudá-las a agir melhor do que os seus ascendentes, construindo um mundo assente na coexistência pacífica.
Devemos combater o negacionismo e erguer as nossas vozes contra o fanatismo e o ódio."
27 de Janeiro de 2009.

sábado, dezembro 27, 2008

ARTIGO SOBRE ESTUDO GENÉTICO NA REVISTA "VEJA"

O artigo publicado na revista brasileira VEJA, no passado dia 24/12/2008, sobre o recente estudo genético, que atribui actualmente 20% de presença sefardita nos genes dos habitantes da Península Ibérica (30% no nosso país) e que demonstra que a intolerância católica não conseguiu extirpar o judaísmo da identidade portuguesa (e espanhola), pode ser lido aqui

terça-feira, dezembro 23, 2008

ENTREVISTA À REVISTA BRASILEIRA "VEJA"

Saiu no nº desta semana (24/12/2008) um excerto de uma entrevista dada à revista brasileira "Veja" sobre o recente estudo genético. Eis um apontamento:
"O que mais nos surpreendeu foi o fato de a influência judaica ser tão maior que a muçulmana, mesmo com séculos de domínio mouro", disse a VEJA o historiador português Jorge Martins, autor do livro Portugal e os Judeus.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

PORTUGAL EM DIRECTO * 2ª FEIRA * 13H

Entrevista à jornalista Paula Carvalho, para o programa da Antena 1 "Portugal em Directo", na próxima 2ª feira, dia 22, entre as 13h e as 14h.
Conversa em torno da presença judaica em Portugal, da expulsão, do baptismo forçado, do Palácio dos Estaus como sede da Inquisição, do Convento de São Domingos e do massacre de 1506, do recente estudo genético.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

ENCICLOPÉDIA DO HOLOCAUSTO EM PORTUGUÊS

A Enciclopédia do Museu do Holocausto dos Estados Unidos da América está agora disponível em português. É, sem dúvida, uma ferramenta indispensável ao estudo e ao ensino do Holocausto. Permite aceder a filmes, fotos, artefactos, biografias, histórias de vida, testemunhos e outros recursos para o conhecimento do maior crime do século XX.
Visite a página da Enciclopédia do Holocausto aqui.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

A GENÉTICA CONFIRMOU: UM TERÇO DOS PORTUGUESES TEM ASCENDÊNCIA JUDAICA

O American Journal of Human Genetics publicou ontem, dia 4 de Dezembro, véspera do 512º aniversário do Decreto de Expulsão dos Judeus de Portugal (5/12/1496), o estudo “The Genetic Legacy of Religious Diversity and Intolerance: Paternal Lineages of Christians, Jews, and Muslims in the Iberian Peninsula”. As conclusões a que os cientistas chegaram vêm confirmar o que os especialistas em estudos judaicos portugueses têm vindo a sustentar: a população portuguesa tem uma forte componente judaica. Os valores genéticos sefarditas apresentados pelo estudo científico demonstram a incontestável etnicidade judaica na matriz identitária portuguesa. Preservámos a etnicidade judaica (30%) e muçulmana (14%), apesar de quase três séculos de acção criminosa e terrorista da Inquisição.
O referido estudo dividiu o país em Norte e Sul, concluindo que 23,6% da população nortenha e 36,3% da população sulista tem ascendência judaica, ou seja, cerca de 30% dos portugueses preservaram as suas raízes sefarditas. Ao contrário de alguma imprensa escreveu (Público, 6/12/2008), não são valores inesperados. E valeria a pena conhecer os valores das Beiras e Trás-os-Montes, particularmente de Belmonte. Seguramente, pela história revelada há um século da existência de um fortíssimo fenómeno criptojudaico nessas regiões, ainda haveria valores mais significativos.

domingo, novembro 02, 2008

COLECÇÃO "SEFARAD"

A editora NOVA VEGA, lançará, no início do próximo ano os primeiros números da colecção SEFARAD, vocacionada para a publicação de estudos judaicos e inquisitoriais portugueses. Brevemente deixaremos aqui informação mais detalhada.
Lançamos, desde já, o desafio aos investigadores desta(s) temática(s), interessados na publicação de pequenos estudos ou capítulos de teses académicas.

CONTACTO: judeusportugueses@gmail.com

domingo, setembro 07, 2008

DIA 18, ÀS 21.30H: CONFERÊNCIA SOBRE VIEIRA NA ASSOCIAÇÃO DE AMIZADE PORTUGAL - ISRAEL

No ano das comemorações do 4º centenário do nascimento do padre António Vieira, farei uma conferência, no próximo dia 18 de Setembro, pelas 21.30h, a convite da Associação de Amizade Portugal Israel, subordinada ao tema "Vieira, os judeus e o caso do Senhor Roubado".

Rua Freitas Gazul, lote 34, loja 4, Lisboa.

quinta-feira, maio 08, 2008

REPORTAGEM FOTOGRÁFICA DA INAUGURAÇÃO DO MEMORIAL















INAUGURAÇÃO DO MEMORIAL ÀS VÍTIMAS DO MASSACRE JUDAICO DE LISBOA DE 1506
Foi inaugurado no passado dia 22 de Abril um memorial às vítimas do massacre judaico de Lisboa de 19, 20 e 21 de Abril de 1506. A Câmara Municipal de Lisboa tinha agendado a votação, em 31 de Outubro de 2007, da proposta nº 423/2007, que previa a sua instalação no Largo de São Domingos, o exacto local onde começou o massacre. Entretanto, verificando que tinham dado entrada em 2006 duas outras propostas alusivas ao massacre, decidiu adiar a votação, para acertar com as comunidades judaica e católica de Lisboa uma inauguração conjunta. Assim, foi aprovada a proposta, por unanimidade, na sessão da Câmara de 30 de Janeiro deste ano, que previa a inauguração para dia 19 de Abril.
Embora com três dias de atraso, a cerimónia teve lugar no mês passado, com a inauguração simultânea de duas esculturas – uma dos judeus, outra dos católicos – e de duas inscrições da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa: um mural contra a intolerância, em 34 línguas, com a seguinte frase: “Lisboa, Cidade da Tolerância” e uma placa no chão, com a frase: “Tributo da cidade de Lisboa às vítimas do massacre judaico de 19 de Abril de 1506”.
No monumento judaico, instalado bem no centro do Largo de São Domingos, onde há 500 anos se acendeu uma das fogueiras, onde foram queimados entre dois e quatro mil judeus, pode ler-se: “1506-2006. Em memória dos milhares de judeus vítimas da intolerância e do fanatismo religioso, assassinados no massacre iniciado a 19 de Abril de 1506 neste largo. 5266-5766”.
No monumento católico, erguido em frente da Igreja de São Domingos, está inscrita uma frase do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo: “Este centro histórico de Lisboa, onde hoje fraternalmente nos abraçamos, foi no passado palco de violências intoleráveis contra o povo hebreu. Nem devemos esquecer, neste lugar, a triste sorte dos «cristãos novos», as pressões para se converterem, os motins, as suspeitas, as delações, os processos temíveis da Inquisição. Como comunidade maioritária nesta cidade há perto de mil anos, a Igreja Católica reconhece profundamente manchada a sua memória por esses gestos e palavras tantas vezes praticadas em seu nome, indignas da pessoa humana e do Evangelho que ela anuncia. Oceanos de Paz, 26 de Setembro de 2000. José, Patriarca de Lisboa”.
A cerimónia contou com a presença dos representantes das comunidades judaica e católica, que, na presença de dezenas de lisboetas, proferiram discursos alusivos à inauguração do memorial e do seu significado para as respectivas religiões. Encerrou a cerimónia o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. António Costa, que começou assim o seu discurso: “Por decisão unânime da Câmara Municipal de Lisboa, instalamos um memorial às vítimas da intolerância, em tributo a todos que sofreram discriminação, o aviltamento pessoal pelas suas origens, convicções, escolhas ou ideias, e em associação com as iniciativas de reconciliação desenvolvidas pela Igreja Católica e pela Comunidade Judaica, que aqui também saúdo. Num tempo em que a tentação dos negacionismos existe e se manifesta, é bom assumirmos a História como memória viva, crítica, activa e vigilante. É por isso que este acto tem um alto significado simbólico e um grande valor pedagógico”.

sexta-feira, abril 25, 2008

INAUGURAÇÃO DO MEMORIAL ÀS VÍTIMAS DO MASSACRE JUDAICO DE LISBOA DE 1506



Foi inaugurado, em 22 de Abril de 2008 (e não 19, como aparece na reportagem), o memorial às vítimas do massacre judaico de Lisboa de 1506, no Largo de São Domingos, local onde eclodiu em 19 de Abril daquele ano e se prolongou pelos dias 20 e 21.

sábado, abril 12, 2008

22 ABRIL: INAUGURAÇÃO DO MEMORIAL ÀS VÍTIMAS DO MASSACRE JUDAICO DE 1506

Na sequência da aprovação, por unanimidade, da inauguração de um memorial às vítimas do massacre judaico de Lisboa de 19, 20 e 21 de Abril de 1506, a Câmara Municipal de Lisboa vai concretizar essa homenagem no próximo dia 22 de Abril, às 11.00h, no Largo de São Domingos.

19 ABRIL: CONFERÊNCIA EVOCATIVA DO MASSACRE JUDAICO DE LISBOA DE 1506