quarta-feira, junho 21, 2006

FOTOS DO LANÇAMENTO DO VOLUME 2 NA FNAC-COLOMBO DIA 2O DE JUNHO DE 2006

Fotos de Henrique Ribeiro, portal DIÁRIO DE ODIVELAS


A MESA DA SESSÃO DE LANÇAMENTO.


A INTERVENÇÃO DO EDITOR, DR. ASSÍRIO BACELAR.

A INTERVENÇÃO DA DRª ESTHER MUCZNIK.


A INTERVENÇÃO DE JORGE MARTINS.


A ASSISTÊNCIA.




O ACTOR JORGE SEQUERRA LENDO EXCERTOS DA "CRÓNICA DE D. MANUEL", DE DAMIÃO DE GÓIS.


JORGE SEQUERRA NA PELE DE UM INQUISIDOR NO PROCESSO DE DAMIÃO DE GÓIS.


O INQUISIDOR INTERROMPE O DISCURSO DE JORGE MARTINS.

O INQUISIDOR PROIBE O AUTOR DE CRITICAR A INQUISIÇÃO.


O INQUISIDOR CONDUZ O AUTOR AO PALÁCIO DA INQUISIÇÃO.


SESSÃO DE AUTÓGRAFOS.


terça-feira, junho 13, 2006

FNAC - COLOMBO, DIA 20, 18.30H

LANÇAMENTO VOLUME 2

Apresentação: Drª Esther Mucznik
Leitura de excertos da "Crónica de D. Manuel": actor Jorge Sequerra

sexta-feira, junho 02, 2006

PORTUGAL E OS JUDEUS - VOLUME 2

DO RESSURGIMENTO DAS COMUNIDADES JUDAICAS
À PRIMEIRA REPÚBLICA



A emancipação dos judeus franceses, em finais do século XVIII, abriria um ciclo de emancipações judaicas europeias, que se prolongariam pelo século XIX. Contudo, o despontar do moderno anti-semitismo europeu na segunda metade do século XIX, consubstanciado pela crescente literatura racista, suportada por pretensas teses “científicas”, criara condições para que o “affaire Dreyfus” se tornasse um caso de opinião pública internacional, chamando a atenção para a “questão judaica” que, afinal não havia sido enterrada pela onda de emancipação dos judeus no velho continente. Os pogromes na Rússia czarista, desde os primeiros anos de 1880 até início do século XX, com a prestimosa ajuda da mais controversa e célebre falsificação do século, levada a cabo pela Okhrana – Os Protocolos dos Sábios do Sião –, abririam uma nova fase para a situação dos judeus na Europa, desta vez, da Rússia à França. O mito da conspiração judaica mundial ganharia a primazia no combate dos anti-semitas europeus.
Foi neste difícil contexto que surgiu o sionismo político, corajosamente sugerido por Theodor Herzl, que ficara muito impressionado com os acontecimentos do caso Dreyfus, que presenciara e que o levaram a propor a criação de um Estado Judaico, como única solução para o inusitado anti-semitismo crescente, que fustigava dramaticamente os seus irmãos na Europa Oriental. Na realidade, o Estado judaico viria a tornar-se uma possibilidade séria, embora de difícil concretização.
Em Portugal, quando o parlamento liberal extinguiu a Inquisição em 1821 já os primeiros judeus marcavam presença, principalmente em Lisboa e nos Açores, onde haviam constituído comunidades organizadas. O ressurgimento do judaísmo português durante o século XIX seria uma realidade insofismável, embora não reconhecida oficial e legalmente pelas autoridades monárquicas. Tacitamente aceites e tolerantemente integrados na sociedade portuguesa, os judeus procederiam à sua organização, criando sinagogas, edificando cemitérios e afirmando-se no país, pela emergência de figuras gradas, que atingiriam o reconhecimento público em diversas actividades económicas, culturais, científicas e académicas.
O “affaire Dreyfus” revelou-se um excelente barómetro para atestar do estado da questão judaica em Portugal. E, de facto, desde 1820 não houve questão judaica portuguesa até à implantação da República. O movimento antidreyfusista não teve eco na sociedade portuguesa da época. Antes pelo contrário. Só no início do século XX, com António Sardinha, o maurrasiano mentor do Integralismo Lusitano, assistiríamos à emergência de um anti-semitismo ideológico, que se espalharia entre algumas das figuras mais conservadoras da direita nacionalista portuguesa durante os turbulentos anos da Primeira República.

sábado, maio 27, 2006

PREFÁCIO DE ESTHER MUCZNIK NO 2º VOLUME

Cabe-me o privilégio de fazer o prefácio para o II volume da obra “Portugal e os Judeus”, que corresponde à tese de doutoramento de Jorge Martins. Não é a primeira publicação do autor – há muitos anos que Jorge Martins vem estudando, investigando, ensinando e escrevendo sobre a temática judaica. A sua tese reflecte, pois, essa investigação aturada: nela sentimos uma atenção sustentada, um conhecimento aprofundado por anos de estudo e acima de tudo, uma real empatia com o objecto de estudo, indispensável a qualquer investigação séria. Analisando o seu trabalho ficamos com a clara noção de que não se trata de uma súbita e passageira paixão, mas de uma relação fecunda e duradoura.
(…) Não quero deixar de saudar o autor por este magnífico trabalho que permite trazer ao conhecimento do público interessado, um período muito rico, mas ainda pouco investigado e divulgado, da história de “Portugal e os Judeus”.

Esther Mucznik (in Prefácio)

terça-feira, maio 16, 2006

sábado, maio 13, 2006

LANÇAMENTO DO 2º VOLUME DE "PORTUGAL E OS JUDEUS":
DIA 20 DE JUNHO, 18.30H, FNAC-COLOMBO.

quarta-feira, maio 03, 2006

CONFERÊNCIA, DIA 28, NO CLUBE LITERÁRIO DO PORTO


O livro "Portugal e os Judeus" será apresentado no Clube Literário do Porto, no próximo dia 28 de Maio (domingo), às 21.30h., seguida de uma conferência do autor, intitulada "A literatura anti-semita em Portugal"

domingo, abril 30, 2006

APRESENTAÇÃO DE "PORTUGAL E OS JUDEUS"

O 1º volume de "PORTUGAL E OS JUDEUS" foi brilhantemente apresentado pelo Dr. António Carlos Carvalho, na Sociedade de Geografia de Lisboa, em 28 de Abril, cerimónia que terminou com uma excelente dramatização pelo actor Jorge Sequerra de excertos da "Consolação às Tribulações de Israel", de Samuel Usque.
Fotos de Henrique Ribeiro, do portal www.diariodeodivelas.com







quinta-feira, abril 20, 2006

“Jorge Martins, fiel às obrigações que o ser historiador lhe impõe, e à memória que os documentos colocam diante dos seus olhos, veio agora colocar uma importante pedra, sinal piedoso de lembrança e memória, nos túmulos dos muitos judeus portugueses que por cá ficaram, enfrentando o medo, a perseguição e o suplício, e dos outros, tantos foram, obrigados a buscar no desterro a salvação do bem mais precioso, o único verdadeiramente santo: a Vida. Mas que nunca esqueceram esta pátria madrasta.
Desde Mendes dos Remédios («Os Judeus em Portugal», 1895) que não tínhamos uma obra com esta ambição – contar uma História esquecida ou voluntariamente enterrada no labirinto dos arquivos. «Portugal e os Judeus» cumpre o projecto que Mendes dos Remédios não chegou a concluir e vai bem mais além, detendo-se na historiografia e no ensino da História nestes nossos dias de confusão e desorientação.”

António Carlos Carvalho
(do prefácio)
PORTUGAL E OS JUDEUS
VOLUME 1
dos primórdios da nacionalidade à legislação pombalina
RESUMO

Os judeus viveram em clima de relativa tolerância em Portugal desde a formação da nacionalidade no século XII, aumentando as suas comunidades até finais do século XV, época em que representariam cerca de 10% dos menos de 1.500.000 habitantes do país. A partir do Édito de Expulsão de D. Manuel I, em 1496, transformado em baptismo forçado no ano seguinte, a situação degradou-se e, após árduas tentativas do intolerante rei D. João III, a Inquisição foi introduzida em 1536, o que desencadeou o extermínio sistemático do judaísmo em Portugal. Esta situação só terminaria com a acção autoritária do Marquês de Pombal no último quartel do século XVIII e seria definitivamente afastada com a extinção da Inquisição pelo parlamento liberal em 1821.
As primeiras comunidades judaicas contemporâneas começaram a reconstituir-se no início do século XIX e, um século depois, revelar-se-iam ao mundo os criptojudeus sobreviventes do extermínio inquisitorial, que foram descobertos no interior do país, nas Beiras e em Trás-os-Montes, pelo engenheiro judeu polaco Samuel Schwarz. Pela acção determinada do capitão Barros Basto, também ele marrano, iniciou-se a chamada “Obra do Resgate”, que procurou trazer ao judaísmo oficial esses milhares de judeus secretos.
A literatura anti-semita que proliferou entre os séculos XVI e XVIII são fontes inestimáveis para a compreensão do anti-semitismo português. Também a acção filo-semita de personalidades tolerantes como o padre António Vieira, D. Luís da Cunha e o Cavaleiro de Oliveira demonstram que a resistência judaica teve o apoio de alguns dos nossos melhores intelectuais, que contribuiriam assim para o processo de emancipação dos judeus portugueses, iniciado no tempo de Pombal, continuado no período liberal e legalizado durante a I República.
Se a República constituiu uma verdadeira oportunidade para a emancipação judaica portuguesa, também proporcionou a emergência do anti-semitismo ideológico mais virulento, cujos principais arautos, António Sardinha e Mário Saa, teriam dignos discípulos em personalidades integralistas e nacionalistas, como Francisco Pereira de Sequeira e Paulo de Tarso e porta-vozes na imprensa, como o Serviço d’El-Rey e a Acção Realista.
As modernas comunidades israelitas portuguesas edificaram novas sinagogas de raiz, designadamente em Lisboa e no Porto, prosperaram de Norte a Sul, passando pelos arquipélagos dos Açores e da Madeira e envolveram-se nos esforços sionistas da construção da pátria judaica, entre finais do século XIX e meados do século XX.